A ARTE DE AMAR
Nunca, em verdade, procura o amante sem ser buscado pelo ente amado.
Quando o raio do amor se atirou neste coração, sabe que existe amor naquele coração.
Quando o amor de Deus cresce em teu coração, sem duvida alguma Deus tem amor por ti.
Nenhum som de palmas vem de uma só mão sem a outra mão.
A divina sabedoria é destino e decreto que nos fazem amantes uns dos outros.
Por este pré-ordenamento, cada parte do mundo se acasala com seu par.
Ao olhar dos sábios, o céu é homem e a Terra mulher: a Terra cria o que o Céu deixa cair.
Quando à Terra falta calor o Céu o envia; quando ela perde seu frescor e umidade, o Céu os restaura.
Anda o Céu às voltas como um marido a buscar provisões para a esposa;
E a Terra e o Céu com as coisas da casa: cuida dos nascimentos e de amamentar aquilo que dá à luz.
Olha a Terra e o Céu como dotados de inteligência, pois fazem o trabalho de seres inteligentes.
Se ambos não extraem prazer um do outro, por que então se adulam mutuamente como namorados?
Sem a Terra, como poderiam as árvores florir?
Para que, então produziria o Céu água e calor?
Assim como Deus colocou o desejo no homem e na mulher, para que o mundo seja preservado por sua união.
Também implantou em cada parte da existência o desejo da outra parte.
Dia e Noite são inimigos externamente; contudo, ambos servem a uma finalidade.
Cada qual ama o outro, a fim de aperfeiçoar sua obra mutua.
Sem a Noite, a natureza do homem não receberia qualquer rendimento e nada haveria para que o Dia gastasse.
( R.A. Nicholson, Rumi; George Allen – A Arte de Amar. Erich Fromm. .)
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